Juventude e Homossexualidade: construindo um modelo de prevenção para homens que fazem sexo com homens

Coordenadores do projeto Juventude e Diversidade Sexual:
Vagner de Almeida (1993 - 2007)
Ana Elisabeth B. Barros. (2003 - 2005)


A sexualidade não pode ser pensada como um tipo natural dado, nem como algo inacessível ao conhecimento. Antes do que um conjunto de práticas sexuais privadas, acreditamos que a sexualidade diz respeito ao entrelaçamento corporal, social e político, à expressão de desejos reais ou imaginários em relação a um outro ou a si mesmo. O processo de construção da sexualidade é particularmente claro se considerarmos o desenho epidemiológico do HIV/AIDS, no nosso país. Nós podemos ver que as práticas eróticas, por exemplo, são perpassadas por questões econômicas, de gênero e de opressão sexual.

Embora, estes sistemas estejam regulando em parte os comportamentos sexuais, eles não são estruturas fechadas em que não se possa interferir. Neste sentido, o projeto Juventude e Diversidade Sexual tem por objetivo oferecer possibilidades de conscientização e empoderamento aos jovens HSH de classes populares do Rio de Janeiro na Baixada Fluminense, de maneira que possam responder aos diversos fatores que os colocam em situação de vulnerabilidade frente ao HIV/AIDS e tantas outras situações de alto risco.

Um dos aspectos que reconhecidamente coloca os jovens HSH em situação de vulnerabilidade é a estigmatização sexual, que se entrelaça com a etnia, o gênero, a idade e a pobreza. Para atingir e desestabilizar a sinergia desses fatores de vulnerabilização, duas vertentes de ação foram desenvolvidas pelo projeto. Uma que se refere à capacitação profissional dos jovens HSH e uma outra que promove uma reflexão coletiva sobre sexualidade, saúde e cidadania como as Quintas Transgressivas aqual oferece informações, fomentando a participação nas instâncias comunitárias e de saúde.

Uma terceira vertente do projeto visa à produção de conhecimento e democratização da informação. Nesta, desenvolvem-se vídeos educativos e participativos, como o “Borboletas da Vida”, que vem sendo premiado e reconhecido mundialmente nos festivais internacionais de diversidade sexual e sendo exibido em universidades, congressos e seminários nacionais e internacionais. O filme trabalha diretamente com os atores sociais, os quais estão inseridos não como uma ficção, mas completamemte revistos como cidadão em busca de sua cidadania, respeito e saúde. O filme desvenda a realidade dos jovens homossexuais que vivem na perifêria das grandes cidades, sofrendo os efeitos da pobreza e da miséria, sem perder sua dignidade, sua criatividade...

Homossexuais, transformistas, borboletas da vida brasileira... eles/elas “carregam a mulher na bolsa”, experimentam com as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, e enfrentam a discriminação com força, coragem, e determinação... Lutam pelo direito de ser diferente e exigem, de diversas maneiras, que a sua diferença seja respeitada. Neste filme temos a “brava gente, a bicha boy”, que a televisão brasileira não nos mostra!


Uma revisão no caos das periferias dos grandes centros, neste caso a Baixada Fluminense da cidade do Rio de Janeiro

Basta um Dia”, o novo filme documentário que denuncia a violência estrutural e o estigma que atravessam a construção da sexualidade de muitos jovens gays e jovens travestis também da Baixada Fluminense e será lançado neste ano de 2006 em circuito nacional e internacional.

Segundo dados da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a homofobia é a responsável direta pelo assassinato de 2.403 gays, lésbicas e travestis (GLBT) nos últimos 20 anos no Brasil e estes são os tópicos revantados neste filme que mostra as chacinas e assasssinatos de homossexuais na Baixada Fluminense e sobre o descaso das autoridas.

Ainda no âmbito da produção de conhecimento, realiza-se pesquisa sobre o comportamento homossexual e bissexual, em que se busca compreender o modo como se dão as práticas sexuais entre os HSH (levando em conta o contexto da epidemia do HIV / AIDS, família e religião), a fim de produzir novas estratégias de intervenção com tal população. Além disso, são produzidos materiais informativos e educativos que servem como veículo de recrutamento dos jovens para participarem das atividades promovidas pelo projeto.

Uma das atividades que mais tem dado certo no projeto são as oficinas realizadas em locais aonde a população HSH está inserida no seu cotidiano. Viagens são feitas até a Baixada Fluminense para que junto com outros grupos gays locais essa tarefa seja comnpartilhada e democraticamente executada. É importante ressaltar que quando nos propomos atacar os fatores que vulnerabilizam o jovem HSH, estamos, de maneira geral, desestabilizando as relações de poder entre grupos sociais, que, historicamente, colocaram as homossexualidades no lugar de segunda categoria ou inexistente.

Mas o projeto não é só intervenção e distribuição de preservativos em locais de homoeritização. Há uma gama de diferentes atividades, as quais envolvem diverentes setores interdisciplinares como por exemplo o projeto “Homofobia nas Escolas” aonde educadores estão sendo capacitados por profissionais da àrea para entender e colocar em prática a Diversidade Sexual como um elemento curricular com os futuros formadores de opiniões, os quais sào os novos alunos. A homofobia poderá se tornar crime previsto por lei e está em votação e com parceria com o MEC estamos trabalhando diferentes formas para que educadores e alunos possam compartilhar a Diversidade Sexual dentro das escolas sem discriminação e estigma. Está previsto um video educativo para acompanhar os educadores em sala de aula intitulado “Homofobia nas Escolas Públicas”.


Para obter cópias desses documentários, favor contactar
ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS).
email: abia@abiaids.org.br

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para maiores informações enviar e-mail:
vagner.de.almeida@gmail.com