Borboletas da Vida - Comentários, Criticas e Entrevistas

CLAM: Publicada em: 02/08/2005
Cientista Social, mestrando em Saúde Coletiva pelo PPGSC/ IMS/ UERJ

Borboletas da vida
Imagens da homossexualidade masculina em camadas populares (mais)


 

IBASE: Publicada em: 2005

Além do Casulo

Malena, Camilly, Bruna, Alexia. pessoas que enfrentam, diariamente, o reducionismo e o preconceito que definem toda orientação sexual diferente daquela, supostamente normal, como aberração. (mais)



ENTREVISTA COM DIRETOR VAGNER DE ALMEIDA

FILME: BORBOLETAS DA VIDA

Entrevista produzida e dirigida por Marccelus Portal (mais)


 

Borboletas da Vida
Do casulo `a busca de uma vida mais digna

By Carla Portella
     Jornalista do Festival New York Brazilian Film Festival

 

         O filme ‘Borboletas da vida’, do diretor Vagner de Almeida, produzido pela ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS do Rio de Janeiro, foi eleito o melhor documentário de 2005 pelo  New York Brazilian Film Festival e não parou por ai.

Exibido no dia 8 de setembro, as ‘borboletas’ trouxeram muitas pessoas ao  Anthology Film Archives,  desempenhando bem a função de transmitir  ao publico importantes questoes sociais. “Em um feliz momento em que documentarios brasileiros ganham maior espaço em salas de cinema dentro e fora do pais, é de grande valia a produção de documentários que instiguem o público a refletir certos aspectos da sociedade brasileira”, analisa a sociologa Mariane C. Koslinski.

Gravado em Austin e Nova Iguaçú na Baixada Fluminense – RJ, o documentário relata a vida dos jovens homossexuais de baixa renda. Aqueles que lutam contra o preconceito e a violência. Mas que nao deixam de lutar pelo que acreditam ser.... Homens de dia, mulheres de noite, sofrem um processo de transformação. As borboletas saem de seus casulos em busca de liberdade e de uma vida mais digna. Colocam a ‘mulher na bolsa’ e  buscam a felicidade, ou ao menos sua verdadeira identidade.

Não se consideram travestis e sim ‘bicha boys’, meninos normais durante o dia, que se vestem e se produzem como mulheres durante a noite. Homossexuais assumidos que nao usam silicones_ mesmo por que não dispõem de uma boa condição financeira para tais luxos; mas que se transformam com toda atitude em fêmeas nos clubes noturnos da região.  “Mesmo apos sofrerem represalias e rejeições, são capazes de conquistar seus espaços, construir sua identidade e lutar para que esta seja reconhecida”,  diz a sociologa.

O documentário começou a ser rodado em 2003 e foi concluido em dezembro de 2004. Foram 51 horas de gravaçoes que editadas resultaram em 38 minutos. Sendo exibido em vários lugares do Brasil e dos Estados Unidos, tais como: New York Brazilian Film Festival, Columbia University, Albany University, Centro Cultura de Saude, Sesc Nova Iguacu,  Universidade de Sao Paulo, Nuances-Porto Alegre, organizações brasileiras que trabalham com sexualidade, gênero e saúde; e agora almeja o titulo no Mix Brasil 2005, um dos mais conceituados festivais de diversividade sexual da America Latina.

A historiadora Marcia Borges que vive em NY ha dois anos e assistiu ao filme, acredita que o documentário cumpriu bem seu objetivo social  neste festival. “O filme trabalha uma temática importante no espaço social em que é explorado. Vê-se um movimento social amplo em seu paralelo histórico”, diz. Ela acredita tambem que em Nova York o filme não causa preconceito em termos do homossexualismo, e sim de violência e pobreza, por evidenciar uma comunidade tão desprovida.
 
O diretor que é formado em Estudos Sociais, tambem estudou analise de imagens para cinema em Berkley, California. Atualmente trabalha no Centro de Gênero, Sexualidade e Saúde na  Universidade  Columbia em Nova York e  ministra oficinas na Abia – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, no Rio de Janeiro, ha mais de 15 anos.  Sempre trabalhando com temas polêmicos,  também lançou os filmes “Cabaret Prevencao” em 1995,  “Ritos e Ditos de Jovens Gays” em 2002,  e prepara “Basta Um Dia”  com lancamento para  2006 e para 2007 ou 2008 há a previção de lançar “Sexualidade e Crimes de Ódio”.

Segundo a socióloga Mariane C. Koslinski, em seu fecho o filme nos deixa com uma sensação de otimismo, ao mostrar que protagonistas percebem que ao longo de suas trajetórias foram capazes de quebrar preconceitos e de abrir caminhos para futuras gerações.

 “Borboletas da vida” é mais do que um documentário, é algo que surgiu de uma longa experiência com essa população. Os ‘atores sociais’ falam por si o tempo todo”,  como ressalta o diretor Vagner de Almeida.
Para estes rapazes o verbo ‘borboletear’ existe e é conjugado da forma mais simples, inofensiva e digna que há.

          Já foram distribuidas mais de seis mil cópias gratuitamente em todo Brasil e no exterior.

          “Borboletas da Vida” é mais do que um documentário é um sopro de vida.         



 


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para maiores informações enviar e-mail:
vagner.de.almeida@gmail.com