Homofobia e Crimes de Ódio no Brasil e no Mundo

Vagner de Almeida

Por Que Matamos As Pessoas?

Por que apertamos os gatilhos sociais, quando nos omitimos e não nos pronunciarmos contra os crimes homofóbicos, crimes de ódio, gerados pela intolerância humana?

A mão que toca um violão se for preciso faz a guerra, mata o mundo, fere a terra...

Como executamos os nossos iguais?

Amigos se vão de forma bárbaras. Morrem e caiem no esquecimento. A banalidade da morte é tão peculiar nos dias de hoje.

No início muita lágrima não quer ver o corpo, não sei o que fazer e assim vamos nos omitindo de tantas barbáries e deixando um corpo lá estendido no chão, na sarjeta, no beco ou no matagal.

Triste, lamentável, mas é a pura verdade.

 Nos três primeiros meses do ano de 2008 foram registrados mais de 50 homicídios de gays no país. Estes foram os crimes registrados.

Um ano de violência homofóbica preocupante, pois esse dado não reflete a verdadeira realidade desses homicídios, pois muitos desses assassinatos não são oficialmente registrados nas delegacias de polícia ou nos laudos dos hospitais, pois muitas das vítimas nem chegam a serem reconhecidos depois da morte. São deletadas por completo, desde o sistema que deveria registrar esses homicídios, como as próprias pessoas que as enterram no social, no esquecimento, em uma cova rasa fria.

Enquanto nos Estados Unidos são mortos 25 gays por ano, no México o número chega a 35, no Brasil anualmente são assassinadas mais de uma centena! Um verdadeiro “não senso com a vida humana”

O único meio que encontrei de chorar, deixar as lágrimas brotarem em minha face, foi denunciando de forma passiva, pacata, calada, de forma inteligente, a morte brutal de cada um desses atores sociais, pois além de serem amigos, conhecidos e queridos, o mundo os levou de forma brutal.

Foram assassinados, simplesmente por serem gays, lésbicas, transexuais, simplesmente por não serem o que a sociedade idealizou como pessoas dignas de viver nas leis da moral e bons costumes. Essas mesmas leis que brotam nos templos que surgem em cada esquina ou fundo de quintal no território brasileiro. Verdadeiras máquinas de moer seres humanos.

Quando se tem uma sociedade em que predominam os valores machistas, religiosos, moralistas contra a comunidade LGBT, contra a mulher os negros, eles representarão a negação absoluta desses valores truncados, mal resolvidos, onde o espelho reflete a visão castradora dessa sociedade.

Um ex BBB, Felipe Cobra relata que, “dá porrada nos gays é significativo para ele”. Isto dito publicamente sem nenhuma punição. Neste exato momento outros Cobras estão se alinhando para poderem espancar, matar homossexuais e sem serem punidos.

A igreja católica e os grupos evangélicos são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância, quando lutam contra os direitos civis das minorias sexuais.

Quando se ouve um pai falar para o filho, ao ver uma travesti passar a sua frente que; “nesse tipo de lixo, você pode bater, enche de porrada...” e o filho ri e concorda com o pai. Ambos deveriam ser presos, mas ouvimos, nos calamos e a travesti, o homossexual mais afetado, a lésbica masculinizada são alvos fáceis desses monstros sociais.

Seus amigos, meus amigos, morreram por falta de um espaço social civilizado.

Muitos foram torturados até a morte, outros simplesmente levaram tiros, facadas, pauladas, pedradas até perderem suas preciosas vidas ou ficarem com seqüelas para o resto de seus dias.

“Borboletas da Vida”, “Basta Um Dia” produzidos pela Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - ABIA, e “Sexualidade e Crimes de Ódio” produção independente, são filmes documentários dedicados aos meus amigos, aos seus amigos e conhecidos. Os quais foram barbaramente assassinados, atrocidades de forma cruel.

Lamentável, inaceitável crimes de ódio contra o ser humano.

 


 

Vagner de Almeida

Lágrimas Secas!

 

Eu na  Platéia do  Meu Primeiro Crime Homofóbico.

 

Quando crescemos ou estamos em fase de descobrir o mundo por conta própria, começamos a desbravar muitos territórios desconhecidos, alguns perigosos e outros muito interessantes. Mas todos com armadilhas que só mais tarde poderemos nos desviar delas com mais sabedoria.

 

Levamos anos para percebemos as contradições do mundo e como elas se constroem a nossa volta.

 

Vão surgindo passivamente de dentro de nós. Assim revemos uma série de coisas que não víamos antes ou que nos eram mostradas de formas contorcidas, destorcidas como, por exemplo, a sexualidade dos outros, os desejos de seus semelhantes, os gêneros que não se encaixam dentro de uma normatividade comum. Aquela que nossos ancestrais criaram e nossos pais reproduziram de forma clonada.

 

Conhecemos o mundo em caixas. Algumas imensas outras bem pequeninhas, tão exprimidinhas que nos dá temor de permanecer lá dentro. Um pânico, uma passividade, um medo do tamanho do mundo.

 

As grandes são quando nos permitem ver no horizonte a diversidade sem julgamentos arbitrários, sem nos tornar violentos ou intolerantes com as vontades e desejos das outras pessoas.

 

Os menores, as quase invisíveis são aquelas que nos subtraem nos permitindo só observar o que deve ser visto, sem que nos deixem rever as coisas com olhos abertos, sem as vendas que nos colocam. Algumas são tão pequenas que nos parecem impossíveis avistá-las a olho nu.

Lágrimas Secas igual: “Homem não Chora”

Partindo deste princípio, começam a constante luta da masculinidade, do ser macho, do ser homem com H maiúsculo. Um H que muitas das vezes não condiz com as suas vontades, seus desejos, mas íntimos pelos seus semelhantes, pelos seus iguais, por outro homem.

Lágrimas Secas igual: “Mulher Necessita Ser Doce”

Partindo desse princípio a mulher está predestinada a ter que procriar as normatividades do personagem feminino. Ser tão frágil que pode se partir a qualquer momento. Tão delicada, que necessita ser forte na hora de parir, de se submeter às vontades do homem com H maiúsculo.

 

Ambos os seres humanos estão algemados e consequemente gerações futuras terão que agir da mesma forma com suas masculinidades e feminilidades construídas a chicotadas psicológicas.

 

Mas eis que surgem no meio de tantas obrigações outros desejos e gêneros mixados em sexo, transformações, quebra de tabus e normas impostas pela sociedade organizada.

 

A chamada muralha do indestrutível lar doce lar constituído pela chamada tradicional família, aqual perante a Deus estão livres de serem apedrejadas em praças públicas.

 

Surgem os homens sem os (H) hagais maíuculos e as mulheres sem o adoçante da feminilidade.

 

Eis que surgem os demais, aqueles que a sociedade vai açoitar discriminar e estigmatizar.

 

O menino ouve que tem que ser homem e não mariquinha. Tem que demonstrar sua virilidade perdendo a virgindade antes mesmo de sua maturidade.

 

A menina brinca com boneca e não joga futebol e se possível casa totalmente virgem. Virgem! Nossa Senhora de alguma coisa.

 

Ai então chega à modernidade e tudo que era camuflado e já existia, passa a ser transparente, publico. Tudo que era imposto começa a ser contestado por uma nova geração que resolve desconstruir a imposição dos pais, das comunidades, dos núcleos religiosos, da escola, da sociedade que impões regras rígidas. Regras as quais, muitas das vezes não são colocadas em práticas até mesmo pelos que as criaram.

 

Surgem os DEMAIS, os chamados grupos, as comunidades, os indivíduos LGBT e tantas outras nomenclaturas, que virão aparecer.

 

Surge também a era dos dízimos altos. Preços que essas comunidades necessitam pagar para poderem viver, subviver e sobreviver contra todo um exército de opositores, de mutiladores, de juízes de seus Deuses, algozes que não hesitarão em matar em nome de uma limpeza de área, em nome do sagrado, em nome do filho do tão poderoso Deus das alturas.

 

Assim são construídas barreiras entre famílias, comunidades, amigos, pois entre as duas paredes que os separam está a vontade de serem vocês mesmo. Mas cada vez mais que a pessoa tenta ser ela mesma, mas altas se tornam as muralhas que as separam do chamado bem e do lado de cá o mal, o pervertido, o isolado social.

 

Cada passo que o individuo que transgride toma, cada vez mais o preço é mais caro. A vida torna-se um eterno saltitar de obstáculos, muros, cercas, abismos e montanhas a serem escaladas com muito esforço.

 

Assim vamos vendo vidas serem levadas, sugadas, esmagadas pelas críticas, pela intolerância, pela covardia de tantos outros seres humanos que não conseguiram descobrir ou desvendar o verdadeiro significado de Solidariedade, Amor ao próximo, Aceitar as pessoas como elas são, Amar no mais amplo significado da palavra Amor.

Eu na platéia do meu primeiro crime homofóbico. 

Aos meus sete anos vejo o primeiro homossexual ser espancado na minha frente e não sabia o porquê de tanta violência contra Marquinhos, aquele menino que servia as pessoas nos sortidos e sujos buracos da comunidade em que vivíamos.

 

 Foi torturado por muitos, que em surdina o usava sexualmente também.

 

O pai, a mãe, vizinho e parente meus, meus próximos também o reduziram a zero.

 

Com a cabeça entre as mãos, defendia a o crânio e a face dos chutes, socos e tapas que levava e inutilmente pedia por ajuda.

Ninguém o socorreu ninguém lhe estendeu as mãos, ninguém teve compaixão daquele menino adolescente de 13 anos de idade, que nem sabia que o seu crime era gostar de rapazes, homens com H maiúsculos. Homens heteros flexíveis, que também gostavam de se deitar com outros homens nas moitas secretas da vila onde morávamos.

 

Impressionante que os mesmos que usavam Marquinhos, foram os que mais o açoitaram sem dó ou piedade naquele dia.

 

A lição que aprendi naquela tarde sombria é que eu não poderia ser igual ao Marquinho ou tudo aquilo que presencie passivo perante tanta violência me amendrotava, me apavorava poderia ocorrer comigo também.

 

Passei anos a fio encurralados nos meus desejos mais nobres e íntimos. O medo superou qualquer expressão de liberdade que pudesse vir a ter. Só em pensar eu acreditava que estaria me denunciando a comunidade que julgava em praça pública. Suava só de pensar. A testa minava de tanto pavor.

 

Na minha comunidade todos que transgrediram foram parar no tribunal popular. Um local marcado por cenas de violência, recreação e confraternização em épocas especiais na vida daquelas pessoas.

 

Várias pessoas ali tiveram suas vidas decepadas, aniquiladas, escurecidas, por não poderem ser oque eles queriam ser.

 

Mulheres casadas expulsas por fornicarem, homens que adulavam crianças, senhores velhos babões que se engraçavam com as filhas ou mulheres alheias. Um verdadeiro corredor polonês da moral e bons costumes.

Ninguém chorou inclusive eu.

Marquinhos aos 17 anos foi encontrado estrangulado por alguém que o usou sexualmente em meio a um matagal que brincávamos quando crianças e adolescentes.

 

Muitos de nós, incluído eu tivemos os nossos rituais de passagem para a fase do sexo, da perversão, da sacanagem, no mesmo local aonde foi encontrado o corpo de Marquinhos dias depois de ser assassinado por algum de nossos vizinhos ou por outro jovem homofóbico mais forte do que ele. Ninguém soube quem foi ou procuram saber. Remexer no caso era na época uma coisa sortida, suja, descenessária. Melhor esquecer-se do que mexer, descobrir quem pudesse ter sido tão vil com a vida de Marquinhos. Para muitos ele era um menino pervertido, um rebelde sem causa, uma mulherzinha, um afrescalhado. Um ser que necessitaria ser deletado mesmo e foi.

 

Marquinhos apanhou muito antes dessa tragédia assolar nossa comunidade. Apanhava de todos, pois muitos acreditavam que coças diárias poderiam desestimulá-lo da sem vergonhice que ele praticava.

 

Todos os meninos, crianças da comunidade eram proibidos de brincar com ele. Aproximar-se dele era uma coça na certa dada por nossos pais ou irmão mais velhos.

 

Ninguém viu, ouviu, ninguém notou que alguém o levou para o mato e lá o usou e depois o estrangulou.

 

No jornal da cidade, o único que existia e só saia aos domingos à tragédia continuou por semanas com as manchetes dizendo assim:

 

“Menor encontrado morto no matagal perto de sua casa”

 

“Estranho forasteiro suspeito de estrangular menino no mato”

 

Interessante que em nenhuma linha sequer das matérias sensacionalistas dominicais, poderia se ler uma única palavra sobre crime de ódio contra um jovem homossexual. Tudo censurando, cometido para não ferir os instintos mais sórdidos daquela comunidade, daquela cidade perdida no fim do mundo.

Por que Lágrimas Secas?

Ninguém chorou por Marquinhos! Sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs pareciam que foram proibidos de expressar a dor através das lágrimas.

 

Muitos pêsames! Poucas rezas, pois até as rezadeiras do lugar resolveram fazer greve de reza no enterro de Marquinhos.

 

Quatro velas acesas sobre a mesa. O corpo de Marquinhos jazia solitário em uma sala de uma casa de cinco cômodos pequenos.

 

Da porta da sala, mas sem poder entrar para ver o meu amigo oculto sair de cena, podia v6e-lo dentro do caixão vestindo uma camisa branca e uma calça preta. Seus pés foram vestidos com meias e sua mão descansava suave e descansada sobre o peito.

 

Minha mãe foi à única que depositou uma palma branca sobre seu corpo e fez pelo sinal da cruz. Rezou baixinho e saiu da sala me puxado bruscamente para irmos para casa.

 

Caminhamos em silêncio até o portão de casa e lá ouvi meu pai falar do fundo do quintal, se haviam muitas pessoas para ver aquele desavergonhado e concluiu que já havia ido tarde.

 

Senti naquele momento tanto ódio do meu pai, abaixei a cabeça e a noite com o rosto dentro do travesseiro chorei muito em silêncio.

 

Eu me lembro que tinha medo da morte, pois aprendemos no catecismo da igreja São Judas Tadeu, que só os maus iam para o inferno e o purgatório e os bons sentavam ao lado de Deus.

 

Eu não sabia se iria para o céu, pois tam,bém possuía os mesmos desejos do Marquinho pelos meus colegas, os quais possuíam desejos semelhantes por mim.

 

No escuro do meu quarto compartilhado com outros irmãos, via o rosto sereno de Marquinhos me acenando e sorrindo.

 

Era mito na comunidade que sonhar ou ver alguém rindo em seus sonhos era sinal de morte. Mas Marquinhos já havia morrido! Tinha sido assassinado. Interessante lembrar que na época não se pronunciava a palavra assassinato, mas sim morto.

 

 

A causa morte foi evitada até pelos policiais e o médico legista que estiveram no local. Mesmo sabendo que aquilo tinha sido um crime brutal, estupro seguido de estrangulamento, mesmo assim todos esses detalhes foram evitados, foram proibidos de serem mencionados na vila.

 

Sós os homens casados e viris foram permitidos de verem o corpo de Marquinhos no matagal com o calção de algodão marrom arriado e sua camisa transpassada pelo seu pescoço.

 

Nem Maria Moura, sua mãe e nem as suas irmãs lhes foram permitidas a ver o filho e irmão, que jazia sem vida no mesmo local aonde todos nós catávamos amoras, mexericas, limões galegos e bebíamos água da nascente que brotava de uma pedra, até então sagrada, mas que passaria a ser evitada para o resto da vida. Vida essa que menciono, pois anos mais tarde saímos daquela comunidade e fomos sobreviver em outra pior, aonde a intolerância, o racismo, o machismo, a violência doméstica alcançavam patamares larmantes.

Quem matou Marquinhos?

Todos os suspeitos eram homens casados, homens de bem, solteiros prestes a se casarem e constituírem famílias.

 

Ou como também havia a possibilidade de ser uma mulher que soube que Marquinho havia tido um relacionamento com o seu marido. Todos nós éramos suspeitos naquela comunidade. Todos sem exceção.

 

Por esse motivo do velório e o enterro de Marquinhos serem tão vazio, solitário, triste. Não havia lágrimas, compaixão de partes nenhuma.

 

Fui proibido de chorar por Marquinhos, pois ninguém chorava na comunidade e eu não podia chorar também. Pois naquele momento chorar a morte de meu amigo era confessar que eu, você seria como ele.

 

Marquinhos nunca soube que eu era amigo dele em silêncio. Eu o admirava, olhava com orgulho todo o corpo jovem dele, pois mesmo sendo escorraçado como foi e era pelos seus pais e conhecidos, mesmo assim eu o admirava pela coragem de ser o que ele queria ser.

 

Lembro-me que na saída do caixão dele da casa, carregado por quatros homens perversos da comunidade ouvi um dele mencionar para o filho menor de nove anos que seguia próximo a ele e o caixão.

 

“Viu o que acontece com pessoa igual a esse ai? – É morto para acabar com a sem-vergonhice. Homem tem que ser macho e não viado”

 

Para muitos a morte de Marquinhos foi mais que merecido, foi uma prova que não podíamos sair dos padrões de normalidades.

 

Lamentável a primeira morte de crime de ódio de menino homossexual que presenciei na minha vida.

 

 


 

Vagner de Almeida

 

Crimes de Ódio Contra Homossexuais Brasileiros, São Atos Não Punidos Pelas Políticas Públicas

Esta semana comemoramos 60 anos  da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas ainda no Brasil a comunidade LGBT é assassinada e seus assassinos e mandantes contínuam soltos na sociedade, sociedade está, que cria brechas para que esses individuos não sejam punidos pelos seus atos.

Desde que iniciei o meu trabalho sobre violência estrutural nos ano início dos anos 80 com o surgimento da AIDS e o crescente número de vítimas do ódio homofóbico, assassinatos que são práticados com altíssimo grau de violência, vem crescendo no Brasil atual. Lamentávemente, a estatística comprova que por dia, mais de um homossexual em território nacional é assassinado. No Brasil, só nos primeiros meses de 2008 foram registrados mais  de 50 homicídios contra essa comunidade, tendo esse número duplicado nos últimos meses. Um ano de violência homofóbica preocupante, pois esses dados referem-se apenas aos casos registrados nas delegacias de polícia, nos laudos dos hospitais e por instituições como o Grupo Gay da Bahia, oqual com tremenda dificuldade, consegue obter dados precários em todo território nacional. Muitas das vítimas sequer chegam a ser reconhecidas após a morte e outras ficam em estado de coma ou com sequelas por resto de suas vidas. São assassinadas simplesmente por serem gays, lésbicas ou transexuais.

Trabalhando em uma das regiões mais violentas do Estado do Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense, onde crimes de ódios ocorrem com uma frequência inacreditável, foi possível constatar o descaso das políticas públicas em se tratando de descobrir, averiguar esses crimes contra essa população específica.

Raramente, a mídia em geral traz esses crimes em suas manchetes principais. Todos os dias, homossexuais são mortos por serem pobres, viverem em cinturões de miséria e trabalhando nos acostamentos da Via Dutra. E esses crimes hediondo passaram a ser banalizados até mesmo por meios que deveriam alertar a sociedade de forma correta e respeitosa. Quando esses casos são reportados em jornais sensacionalistas lê-se o seguinte. 

“Uma quase mulher executada na Dutra.

Trava apedrejada até a morte.”

Jornal Hora H – Baixada Fluminense

Na época da chacina da Baixada Fluminense em 2005, aonde cerca de mais de 30 pessoas foram vítimas dessa monstruosidade, duas jovens travestis foram brutalmente assassinadas neste pacote e nenhum jornal as mencionaram. Esse crime virou manchete no mundo inteiro, sendo mencionado nos maiores jornais do planeta como o New York Times e na Revista The Economist, presidente Lula pediu apuração rápida do caso, mas uma das travesti morta foi a última a ser enterrada e não passou pelos cuidados necessários de autopsia. Conseguiu ter um enterro menos indigno em uma cova rasa, pois ativistas, pessoas comuns, foram a procura do corpo para enterra-la em um bairro pobre da periferia da cidade do Rio de Janeiro. Tanto o poder público, quanto a família não reconheceram o corpo da travesti como cidadã plena de seus direitos também.

Estes são fatos que demonstram como a sociedade brasileira estás tratando a violência contra a comunidade LGBT brasileira.

Surgem casos de Serial Killers nas capas das manchetes, mas a sociedade vem assassinando homossexuais ao longo do tempo e quando os crimes não são no atacado como a chacina da Baixada Fluminense ou um suposto seral killer, são crimes no varejo, passam despercebidos e ainda ouve-se da própria sociedade que; “É menos um viado na terra”.

Não há um único assassino matando pessoas da comunidade LGBT, mas sim um exercíto de intolerantes que necessitam ser punidos com leis severas, pois o Brasil só será uma país sério, quando passar a adotar medidas sérias e igualdade a todos.

Leis como PLC 122/06 está a  espera de passaar pelo corredor da intolerância, de políticos, conservadores, que usam argumentos manipulando a opinião de  outras pessoas que não endossam iguadade de direito

O site  www.naohomofobia.com.br. busca assinaturas para que a homofobia seja penalizada neste país.  Há muito o que se fazer para que as pessoas sejam tratadas como respeito e dignidade.

Na trilogia de documentários produzidos pela ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS e dirigido por mim, fiz percurso neste universo, aonde as leis são ignoradas e o terrítório é de pânico.

No filme “Borboletas da Vida” aonde desvendo a realidade dos jovens homossexuais que vivem na perifêria das grandes cidades, sofrendo os efeitos da pobreza e da miséria, sem perder sua dignidade, sua criatividade. São meninos, transformistas, borboletas da vida brasileira. Eles/elas “carregam a mulher na bolsa” termo usado para poderem ser transformar no gênero feminino longe de suas comunidades, pois lá seria impossível sairem trajando suas roupas de mulher Eles experimentam com as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, e enfrentam a discriminação com força, coragem, e determinação. Lutam pelo direito de serem diferentes e exigem, de diversas maneiras, que as suas diferenças sejam respeitadas. Neste filme temos a “brava gente”, que a televisão brasileira não nos mostra e nem os contabiliza quando assassinados.

Muitas dessas pessoas que em menos de quatro anos, depois do filme já terminado, foram brutalmente assassinados e seus algozes até hoje se encontram livres.

Quanto documentário, “Basta um Dia”, aborda a vida de brasileiros e brasileiras que, entre a coragem e o medo, tentam, muitas vezes sem sucesso, sobreviver à dura realidade de violências impostas ao seu cotidiano. São habitantes da Baixada Fluminense, que enfrentam o preconceito, a agressão física e a morte física e social nas margens da Rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre as duas maiores e mais ricas metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo.  O filme  busca acompanhar e registrar o movimento entre a vida e a finitude, a esperança e o desespero, a dor e a revolta, a descrença e as reações, com as quais estas pessoas são obrigadas a organizar suas vidas individuais e coletivas.  Basta um Dia conta a história desses atores sociais perante chacinas, assassinatos a varejo e brutalidades de toda a sorte a que são submetidos e a situação de exclusão e abandono com as quais são tratados pelos poderes dominantes na sociedade. 

Além de denunciar a banalidade e impunidade que caracterizam os crimes de ódio contra travestis, homossexuais, gays, entre tantos outros que possuem uma sexualidade diversa da norma heterosexual, este documentário busca somar ao coro de vozes e resistências de todos aqueles que lutam pela cidadania plena e pela afirmação da vida como um valor supremo e universal.

“Os clientes chegam aqui, mandam a gente entrar no carro, nos tratam se respeito fazem tudo com a gente e depois sai ainda sem pagar.Quando reclamamos eles colocam o revolver na nossa boca, na nossa cara e batem na gente.Esta marca aqui nas minhas costas é de um tiro que levei, depois que sai do carro sem ser paga.” – relato de uma de uma travesti que sobreviveu ao atentado de assassinato

 No filme “Sexualidade e Crimes de Ódio”- 2008 busca ser uma forma de protesto diante da extrema brutalidade cometida contra os homossexuais no Brasil, um mémorial, oriundos de diferentes segmentos da sociedade. A igreja católica, os grupos evangélicos radicais, os extremistas, os fundamentalistas são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância ao lutarem contra os direitos civis das minorias sexuais. Em uma sociedade onde predominam  os valores machistas, religiosos e moralistas contra a comunidade GLBT, a ausência de direitos já levou a morte a milhares de cidadãos(ãs) brasileiros.

Um grito de basta à intolerância é o que pretende ser este filme, dedicado a todos(as) que foram cruelmente assassinados no Brasil e no mundo. - (2008)

 


Vagner de Almeida

 

 

A Mídia no Imaginário GLBT, os Novos Desafios do Preservativo, HIV/AIDS e Crimes de Ódio Contra essa População.

 “Uma sopa de entulhos e contradições”

 

Em 1989, quando a primeira peça de teatro sobre HIV/AIDS intitulada Adeus Irmão Durma Sossegado escrita e dirigida por mim e produzida pela minha extinta companhia de teatro “Somos Dois Produções Artísticas” no Teatro de bolso de 70 lugares na Alliance Frances de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi um BOOMMM de protestos dentro da classe teatral e artística.

Todos os argumentos foram levantados e um dos mais interessantes era que o título não era comercial. Mas com a supervisão geral do antropólogo Richard Parker, juntos conseguimos levar aos palcos a AIDS com temas totalmente brasileiros.

 Era a AIDS dentro da casa de cada um de nós. A AIDS mãe, pai, filhos, solteiros e casados, homossexuais e heteros. Uma época em que ainda a população desconhecia alguém muito próximo infectado com o vírus. Isto incomodou muitas pessoas. A própria mídia na época coloca a AIDS completamente inserida na comunidade gay e diz que o assunto está saturado, como se a epidemia não houvesse já ultrapassado essas barreiras. Com esse espetáculo, a desconstrução estava ali no palco, na frente de todos. Sem a mídia o espetáculo doava suas apresentações gratuitamente para os grupos de apoio de AIDS como ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, ATOBÁ, que nos doavam preservativos e o Pela Vidda Rio de Janeiro, e outros grupos, que começavam a surgir. Tudo muito braçal e a epidemia já estava instalada na sociedade brasileira há mais de 10 anos oficialmente. Total negação tanto da população e da mídia. As piadas na época se multiplicavam e a moralidade se expandia sobre aqueles que eram descobertos soropositivos. Época muito difícil para todos e de grandes perdas.

O espetáculo foi registrado com uma câmera VHS da Sony, documento esse que será exibido em breve na mídia e no site www.vagner.de.almeida.com

 

Para a ironia do destino, nenhum canal de televisão quis dar uma nota se quer sobre o espetáculo. Algumas emissoras de TV que procurávamos ou nos telefonavam, diziam que o assunto era importante, relevante, mas o público não estava preparado para ouvir, falar sobre a Peste Gay no Brasil. – No mesmo período, centenas de amigos, conhecidos das classes artísticas já se encontravam infectados e alguns já haviam morrido ou se escondiam da mídia e faleciam no anonimato. Pouquíssimos foram descobertos pela mídia e tiveram ou tiveram a coragem de expor a sua soropositividade estapandas nas mídias nacionais. Adeus Irmão Durma Sossegado, seria a primeira peça original em português, pois outros textos apresentados no Brasil, nesta época, foram traduções de espetáculos que eram importados dos Estados Unidos. Como a “Mancha Roxa ’ e tantas outras.

 

Alguns jornais de massa, ou bem dizendo, algumas colunas de famosos como a coluna de Ibrahim Sued e o Caderno de Domingo Teatro do JB e Walter Rizzo do Jornal dos Esportes deram uma notinha de rodapé em suas colunas.

Jornais alternativos como Letras e Artes, Papo Teatral, Nós Por Exemplo, Boletim ABIA, Jornal de Hoje, Jornal do Teatro, Revista de Teatro da SBAT apareciam nas noites de espetáculo e me perguntavam o porquê de estar fazendo aquilo?  Pois a epidemia então era uma coisa muito distante da sociedade brasileira. – Raras notas foram vinculadas nos grandes veículos de massa na época sobre Adeus Irmão Durma Sossegado,. Pelo contrário da ausência da mídia, muitas pessoas começavam a vasculhar esse universo, através da peça. Estudantes, futuros ativistas, mulheres de todas as classes sociais, gays, lésbicas, travestis eram o público de massa todas as noites.

Em 1990 insistindo com o tema, e lutando contra a maré logo em seguida surge o meu segundo espetáculo escrito e dirigido intitulado Estou Vivo, com o mesmo tema AIDS. Mas só que desta vez o que queríamos era falar sobre vida e conseguimos fazer uma trajetória muito mais positiva, pois a sociedade nos início dos anos 90 foi obrigada a engolir a AIDS crua pela garganta abaixo. Os casos se amontoavam tanto nos leitos hospitalares, e a mídia retomava o tema com a chegada do AZT publicamente.

Nesta época, mesmo com a mídia perversa bombardeando as manchetes com alarmismos, trouxe uma contribuição, muitas das vezes não muito positiva, para a sociedade e pessoas de peso tomaram a frente da campanha contra o HIV/AIDS. Personalidades dos meio artísticos começavam a se destacar como ativistas, colaboradores, infectados, mães, irmãos começaram a colocar a cara na frente das câmeras e as novas faces da epidemia como a do Betinho, Cazuza, Sandra Brea e tantos outros foram se organizando para uma luta que duros anos a fio, sem intervalo ou piedade.

Décadas necessitaram para que a mídia, mesmo que equivocada muitas das vezes, pudesse aderir ao movimento da luta contra AIDS. Muito necessitaram morrer, para que a sociedade acordasse e percebesse que negar seria uma tragédia mundial, como tem sido em tantos outros países do mundo.

Hoje parece que todos estão informados, sabem de tudo sobre a epidemia e irocamente os números continuam crescendo entre todas as classes sociais e gêneros dentro da população brasileira e tendo um dos melhores programas de AIDS do mundo.

 

Qual têm sido os desempenhos sociais das mídias de massas (televisão, rádio, computadores, telefones celulares, outdoors) em se tratando do HIV/AIDS?

 

Equivocadamente ainda se fala nas mídias a palavra “Aidética”, ao invés de mencionar “Pessoas convivendo com HIV/AIDS ou infectadas”.

A mídia está muito vinculada em propagandas de prevenção “Camisinha, DST/AIDS” na maioria das vezes na temporada de Carnaval, esquecendo que o ano possui 365 dias e que todos os dias é dia para a maioria da população interagir sexualmente.

A mídia falha muito em se tratando de HIV/AIDS e não adianta termos o melhor programa de AIDS do mundo se as coisas não estiveram vinculadas uma com a outra na neste meio de comunicação de massa e formador de opinião.

Raramente o tema aparece em novelas brasileiras de forma real e quando o faz na maioria das vezes está repleto de fragmentos isolados não muito esclarecedores para a população. Raramente nos roteiros de novelas se ouve o nome “Preservativo”, transar com os parceiros do elenco na trama com a “Camisinha”. Cenas de sexo quase explícitas são editadas e não se fala no preservativo, os roteiros ignoram essa palavra como se as cenas de sexo sejam elas entre casais fixos ou não fossem vulneráveis ao HIV/AIDS.

Dentro dos lares brasileiros a televisão, formadora de opinião, invade a privacidade de cada pessoa sem tocar no preservativo, na AIDS, nas DSTs. - Toda regra tem exceção e alguns programas esporadicamente trazem a questão à tona.

Vendem-se neste novo século, todos os tipos de informações na mídia, desde a R15, as toneladas de cocaínas, prensados de maconha apreendidos, carros, apartamentos e não se vende “Preservativos” na TV. Não se fala ou vende “Sexo com Preservativo”. – Uma mídia a ser contestada por suas falhas em se tratando de HIV/AIDS.

A AIDS está na mídia privada, aquela que a população usa através dos computadores, dos sites especializados no assunto, e os quais muitas pessoas não possuem o acesso ainda. Ainda somos um Brasil de pouco acesso a internet, mesmo acreditando nas Lan Houses, equipamentos privados, notebooks e uma nova geração que já nasceu com o computador na mão. Mesmo assim ainda temos Brasis sem luz, sem educação e saúde.

Estamos falando de Brasil, aonde o único meio de comunicação de massa são as redes de televisões, pagas ou não e as estações de rádios sejam elas clandestinas ou não. O pai se comunica através desses dois veículos ainda.

Argumentar sobre Mídia é muito polêmico e cheio de interpretações, mas o que devemos averiguar neste universo que permeia os dias e a sociedade em que vivemos são os efeitos benéficos e colaterais que a mesma mídia que constrói inversamente desconstrói as paralelas do indivíduo menos favorecido ou não.

A mídia expõe, investe no concreto e abstrato do indivíduo deixando-o vulnerável em suas infinitas e variadas tendências

 Uma das tendências perversas da mídia nos dias de hoje é a violência estrutural que é enfatizada de todas as formas através da mídia e nela uma que há anos vem sendo implantada passivamente dentro das vidas das pessoas, que é a homofobia.

Programas homofóbicos fazem do cotidiano brasileiro uma forma de lazer politicamente incorreta, ofensiva, incitadora e pejorativa. Humor recheado de piadas perigosas, incentivadoras de deboches perversos, criando uma visão completamente negativa, moralista, destorcida da comunidade GLBT.

A vida está crivada de perplexidades. Pessoas informadas deixando a mídia instalar-se com certa polidez e consideração no mais remoto interior das pessoas e assim vai testemunhando a decrepitude inerente da homofobia internalizada e exposta de maneira cruel e nociva.  Mesmo os mais habilidosos, dificilmente escapam das armadilhas, dos trocadilhos tanto da mídia como do cotidiano de esquina da sociedade que subtrai indecentemente às travestis, os jovens ou idosos gays, as lésbicas masculinizada ou não.

A sociedade necessita ser observada de dentro para fora, revisitada em todos os seus compartimentos mais íntimos e sórdidos, para que não caiamos em total demência social.

 

GLBT ou LGBT eis as questões das terminologias

 

Repensar a comunidade LGBT, é uma tarefa que necessitar ser revisitadas por idades, condições sociais e principalmente com uma formação de opinião sem julgamento.

É necessário rever as condições básicas do cidadão brasileiro homossexual, não só como uma afirmação dentro da sociedade, mas também ter o cuidado de trabalhar a saúde desses cidadãos e a sua segurança.

A vulnerabilidade que essa população se encontra e os cuidados a serem tomados são desafios que a cada dia aumentam.

Com recursos do estado, da mídia, que forma opiniões muitas das vezes equivocadas e das próprias comunidades, os desafios começam a serem revisitados com maiores atenções, mas mesmo assim a epidemia gradualmente cresce entre as camadas menos favorecidas, mulheres e homens e entre jovens.

Trabalhando com a comunidade HSH – Homens que fazem sexo com homens desde 1989 em projetos direcionados ao HIV/AIDS, como foi o “Projeto Homossexualidade – Oficina de Teatro Expressionista Sexualidade e AIDS para HSH” da ABIA, desde então esse envolvimento com essa questão é um desafio, o qual necessitou urgentemente dar voz a quem mais está exposta a essa epidemia e as reações sociais como crimes de ódio contra essa população.

“Cabaret Prevenção”, a Peça, o Filme, o Livro

Em 1995, “Cabaret Prevenção” que saiu de uma oficina, que se transformou em um espetáculo de teatro no extinto reduto gay do Rio de Janeiro, o teatro Alaska em Copacabana, o qual em seguida se transforma em um filme, seguindo uma trilogia que daria espaço para tantas outras atividades desenvolvidas no futuro. Esse produto nos trouxe muitas perguntas sem resposta sobre a atitude e o comportamento do homem gay da época e seus enfrentamentos para conviver com o HIV/AIDS. Os desafios foram se multiplicando e novas demandas foram aparecendo e gradualmente outras metodologias e atividades foram sendo criadas.

Tradicionalmente as respostas à AIDS tinham enfatizado a informação e a escolha racional de mudar comportamentos para se prevenir contra a epidemia de HIV/AIDS.

No Projeto Homossexualidades tentou-se construir uma abordagem alternativa, trabalhando questões que tinham a ver com direitos e cidadania, opressão sexual e sexo mais seguro.

Dentro do leque de atividades desenvolvidas pelo projeto, a Oficina de Teatro Expressionista Sexualidade e AIDS e a peça Cabaret Prevenção desenvolveram uma leitura sobre a construção da epidemia de HIV/AIDS, através de textos que procuraram analisar e demonstrar os processos sociais e as relações de poder envolvidas.

Foi um trabalho de caráter inédito, por ter a coragem de desnudar a moral de uma sociedade que subjuga, estigmatiza e subtrai a auto-estima do ser humano.

O Projeto e as oficinas ofereceram aos participantes a possibilidades de se despirem dos preconceitos impostos pela sociedade. De forma prazerosa, as pessoas puderam trabalhar a linguagem expressionista usada na oficina, a qual ajudava a expressar os desafios do HIV/AIDS, a violência urbana e doméstica, a convivência em parcerias e a solidão impingida pelo mundo moderno.

A elaboração dos textos e a montagem do espetáculo foram realizadas pelos participantes da oficina, abrindo assim um movimento pessoal de auto-estima, pois muitos dos participantes na época, poucos eram os que haviam finalizado o seu segundo grau escolar. Além de informar a oficina oferecia oportunidade ao cidadão de se expressa como ele desejava.

Tanto a peça, a oficina teve como objetivo principal a defesa e a valorização da diversidade sexual e da cidadania sexual, demonstrando com clareza e alegria que a luta contra a AIDS depende fundamentalmente das nossas capacidades de quebrar as barreiras do preconceito e da discriminação, de trabalhar com coragem e esperança, com ousadia e amor.

Cabaret Prevenção foi uma fábrica de emoções onde juntos festejamos as vitórias e nos fortalecemos nas derrotas, na perda de muitos participantes e amigos. Juntos percebemos que a disciplina e a solidariedade são fatores fundamentais para as grandes vitórias. Buscamos produzir benefícios ao ser humano, construindo assim um mundo melhor para todos, especialmente para aqueles que são segregados e violentados pelos olhares punitivos da sociedade.

 

Jovens HSH e seus Ritos e Ditos

 

No filme “Ritos e Ditos de Jovens Gays”, produzido pela ABIA em 2002 foi visivelmente observada uma urgência na demanda apresentada pelos jovens que participaram do projeto “Juventude e Diversidade Sexual”

Trabalhar com jovens não é uma tarefa difícil, chega a ser muito gratificante prazeroso e até mesmo inovador. Mas trabalhar com jovens homossexuais torna-se uma tarefa um pouco complicada, pois as vidas desses jovens são definidas pelas suas opções sexuais, os constrangimentos impostas pela sociedade, as diferentes discriminações enfrentadas nos seus cotidianos, os medos de serem diferenciados no meio onde necessitam sobreviver, incluindo a relação com a família dentro de casa, a escola e o estigma social em geral.

O resgate da cidadania do jovem homossexual brasileiro de classes populares da cidade do Rio de Janeiro, pois sem cidadania e auto-estima não conseguem se inserir na sociedade. Trabalhando-se a diversidade sexual desses indivíduos dentro de uma sociedade patriarcal e cheia de códigos contra a liberdade de expressão do jovem homossexual, cidadão e de baixa renda na maioria das vezes.

 

Jovens Positivos

 

Jovens soropositivos procuram uma vida chamada normal, mas temem a discriminação de todos os seguimentos da sociedade aonde vivem principamelmente por fazerem parte da comunidade GLBT.

Os adolescentes portadores do HIV/AIDS e seus respectivos cuidadores tais quais, pais, familiares e cuidadores institucionais, revela que os jovens soropositivos almejam construir famílias e carreiras profissionais, porém sofrem do estigma da doença.

O estigma e a discriminação sentida pelos adolescentes geram barreiras e limitações e conseqüentemente cria uma barreira muito grande entre a felicidade e suas metas futuras.

A culpa e medo são os sentimentos principais que tanto as pessoas que trabalham ou interagem diretamente com esses jovens sentem no momento de falarem sua sorologia, mas depois de desconstruírem essa barreira se sentem aliviados.

Os jovens positivos possuem grandes desejos em suas vidas, muitos mencionam em ter filhos, constituir famílias com um parceiro ou parceiras, mas ainda há o medo e comentam sobre infecções.

Os grandes receios quanto à discriminação podem atrapalhar suas carreira e relações pessoais.

As unidades de saúde não sabem acolher bem esse público ainda e com isto os tratamentos desses jovens tornam-se precários. Muitos se tratam no silêncio, escondidos dos amigos, familiares e de sua própria comunidade. Vários confessam que preferem pegar seus medicamentos no outro lado da cidade, por se sentirem muito preocupados de encontrar algum vizinho, um parente ou ser apontado na comunidade como positivo.

Educação um Rito de Passagem para as Jovens Travestis

A princípio educação é direito de todos decretado pela constituinte. Mais básico do que isto impossível. Porém não é assim que as regras do jogo da burocracia e do estigma funcionam.

A ditadura da moral e bons costumes são imperativos em se tratando de lidar com a diferença de gênero. Não estou aqui me referindo ao gênero feminino ou masculino, mas ao travesti ou o menino se transformando em travesti. Ou bem dizendo tentando ser ele mesmo do jeito que ele se sente bem. Uma dupla luta de sobrevivência. Ser você deseja ser travesti ao mesmo tempo.

 

A escola não esta preparada para receber a diversidade, aceitar e educar o jovem travesti. A falta de educação, solidariedade e preparo de educadores são fatores fundamentais para o afastamento definitivo do jovem travesti, do menino mais frágil do delicado assim chamado pelos demais das escolas. Conseqüentemente um desastre na vida desses atores sociais.

 

Todos os travestis jovens e adultos são unânimes em mencionar escola com um dos piores rituais de passagem de suas vidas.

Quando é questionado o porquê de não estar vinculado em uma entidade educacional?

A resposta desses meninos é unânime; os diretores, professores e funcionários são seus piores algozes. Isto sem mencionar o excesso de enfrentamentos com os outros estudantes. Tortura psicológica, seqüência de evasão escolar.

Durante todo esse processo de observação também a família tem um papel fundamental na formação desses meninos chamados diferentes. A família não estimula o jovem a prosseguir nos estudos. Sentem-se constrangidos por terem um filho afeminado. Preferem deixar o menino jovem dentro de casa nos afazeres do lar. Enfatizam que ele não nasceu para os livros. Dando mais atenção para os outros filhos não afeminados.

Sem o suporte dos familiares e dos educadores esses atores sociais preferem ou são obrigados a deixarem a escola.

Entrevista para a Revista Fórum Lado B

13 de junho de 2008

Bruna: Você, em dois documentários, registrou memórias de um público a margem da sociedade de consumo. Em especial as travestis, como se articulam para sair da invisibilidade da sociedade e pela conquista de seus direitos?

 

Vagner: Quando resolvemos trabalhar com essa comunidade na ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS – RJ, foi por termos percebido toda vulnerabilidade que essa população sofre com o descaso do poder público, seja no âmbito educacional e da saúde.

Em ambos os documentários, “Borboletas da Vida”, 2004 e “Basta Um Dia”, 2006 é denunciado essa invisibilidade que a comunidade das travestis e transexuais ainda sofre no Brasil. Por mais que tenhamos avançado, ainda permanece um grande vácuo entre a sociedade dita normal por muitos e o universo da travesti.

Nosso país é conhecido por ser “Campeão Mundial de Travestis”, isto publicado pelo Jornal Lampião de Esquina, ano três Nº 32 em 1981, e isto já eram reconhecidos na mídia. Exportávamos para vários cantos do mundo.

 Porém raras foram e são as travestis que conseguiram ou conseguem visibilidade na mídia e respeito da sociedade.

Por muitos anos a travesti foi uma personagem caricata do Carnaval e homens hetêros ou não usavam todas as artimanhas femininas nesses três dias de folia, transgressões e cada um na sua, inclusive as verdadeiras travestis. Havia uma pausa no Carnaval e elas podiam ser estampadas nas capas das manchetes como, por exemplo, no “Baile dos Enxutos”. Hoje o tradicional e sem glamour “Gala Gay”.

Na sociedade brasileira aonde predominam os valores machistas, religiosos, homofóbicos, a travesti representa a negação absoluta desses valores e é o espelho onde essa sociedade sufocadora, castradora se reflete.

Não é inteligente se dizer que a travesti é uma vítima da falta de espaço social. Pois podemos cair no lugar comum de vitimizar a travesti e esquecer-se de lhe proporcionar espaço de inserção nesta mesma sociedade que a exclui vergonhosamente. Mas negar, invisibilizar, impossibilitar esse espaço a ela como cidadã plena é um dos grandes erros da sociedade atual. Visto que a travesti chegou para ficar e a sociedade terá que aceitá-la como a travesti é obrigado aceitar a sociedade como é.

A travesti, na sua maioria está à margem do consumo mesmo, mas é interessante observar que ela paga impostos em qualquer transação que faz, seja no simples pão que compra a um batom retocador de lábios.

Essa mesma cidadã que vive na margem é a mesma cidadã que tem obrigações na sociedade, mas lhes são negados os direitos.

Há exemplos na sociedade brasileira que são casos de estudos mais profundos como, por exemplo, a ascensão de Astolfo Barroso Pinto, conhecida na mídia desde os anos 70 como Rogéria. A atriz, cantora, interprete de Niterói, que atravessou a Baia da Guanabara e ganhou o mundo e o afeto do próprio brasileiro.

Rogéria ajudou a nacionalizar e exportar a beleza da travesti brasileira, apareceu ao lado de pessoas famosas e trabalhou em vários filmes e entre tantos, um dos mais controversos, no meu ponto de vista, do diretor Julio Bressane “O Gigante da América”. Contracenando ao lado do maior cafajeste, machão do cinema nacional, Jece Valadão e ao lado de uma dos maiores talentos do nosso cinema e teatro nacional José Lewgoy.

Isto é um ínfimo exemplo de uma travesti que conseguiu construir a sua visibilidade em épocas de ferro no Brasil. Época em que o Código 59 ainda existia e a travesti era presa por vadiagem.

Muitas travestis abriram portas, desbravaram sistemas para hoje tantas outras poderem começar a sua trajetória com o gênero que desejar.

Mas a luta ainda é muito longa e só está iniciando, mesmo depois de tantas batalhas já travadas, algumas ganhas e tantas outras perdidas.

 

Bruna: Com o caso do jogador de futebol Ronaldo e as três travestis, o tema voltou à mídia. Como você avalia a atuação da mídia acerca dos temas da comunidade GLBT, em especial das travestis?

 

Vagner: A mídia é perversa! E detona tudo que ela deseja desconstruir na formação de opinião popular.

No livro “Homossexualidades: Produção Cultural, Cidadania e Saúde” Organizados por: Luiz F. Rios, Vagner de Almeida, Richard Parker, Cristina Pimenta, Veriano Terto Jr – publicado pela ABIA – 2004 - “A Mídia Perversa e o Universo de Homens que fazem Sexo com Homens” neste texto falo diretamente sobre isto. E não precisou passar uma década para que pudéssemos presenciar uma mídia que enaltece os grandes e subtrai os menos favorecidos

O caso do fenômeno Ronaldo e a travesti Andréia ainda girando nos periódicos nacionais e internacional é um bom exemplo de como a travesti foi retratada neste episódio de massa mundial.

Todas as travestis foram mencionadas como marginais criminosas e não houve se quer uma mídia de massa que tivesse trazido essa questão com mais seriedade. Pois por se tratar de extorsão, mentiras, drogas, sexo e sem rock roll. Esse evento desabou em ambas as cabeças como uma guilhotina mortal.

Depois de algumas entrevistas nos canais mais poderosos do Brasil o fenômeno entra na lista de vítima e a Andréia da vilã.

O importante ressaltar, não o lado que está errado perante a justiça, a sociedade, mas como um lado desfigura o outro através de tudo que a mídia incitou.

O fenômeno com ampla cobertura de defesa, a Andréia com fotos estapandas em todos os jornais como barraqueira, mentirosa, safada e acima de tudo sempre tendo o seu nome do gênero masculino mencionado e era chamado de “o travesti”.

O fenômeno ganha a página de revista de fofocas e lorotas como futuro pai, reconciliações familiares, período de depressão a ser vencida em uma mansão a beira mar.

Andréia ganha visibilidade ao destruir um estúdio em SP, mas as razões más e porcamente foi divulgada pela mídia. Porem no lugar dela naquele exato momento ler o texto em anexo tinha toda razão de se defender:

 

Travesti do caso Ronaldo arruma confusão na Rede TV!

A mona barraqueira quebrou tudo! 

[De acordo com o jornal 'O Dia', depois de passar o dia se preparando para participar do programa 'Super Pop', da RedeTV, o travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, acabou se metendo em uma confusão dentro da emissora paulista.
 De acordo com o jornal 'O Dia', depois de passar o dia se preparando para participar do programa "Super Pop", da RedeTV, o travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, acabou se metendo em uma confusão dentro da emissora paulista.
 A confusão começou quando Andréia foi abordada pelos repórteres do Pânico na TV Vesgo e Silvio vestidos de Milene Domingues, ex-mulher do jogador, e Ronaldo, respectivamente.
 "Eu não quero falar com vocês. Não vim aqui para ser ridicularizada. Eu disse que não queria gravar com o Pânico!", gritava Andréia, que pulou a roleta do hall da emissora, aos gritos.
 Ela tentou se trancar em um banheiro e se cobriu com um paletó. Como não conseguiu escapar das brincadeiras dos repórteres, começou a quebrar aparelhos da recepção. Destruiu com chutes e socos televisores de plasma, câmeras e espelhos e se feriu na mão e no rosto.
 "Como não pararam por bem, pararam por mal. Até a página 2 eu sou Andréia, depois viro André e aí babou", esbravejou ela.
 Após a confusão, o travesti foi atendido por bombeiro da brigada de incêndio da TV.
 por Te Contei

 

Andréia segundo os jornais corre o risco de pegar uma pena de quase quatro anos de retenção por extorsão. Mas ao mesmo tempo o mesmo jornal promove ironicamente que ela se encontra em SP fazendo um filme pornô.

 

Toda essa contradição, de um lado a formação da nova família do fenômeno crescendo e se multiplicando, do outro lado, luz, câmera e ação em um set de filmagem pornô, aonde a atriz principal é a travesti que por muito pouco não detonou a vida de um homem idolatrado pela mídia e pelo povo.

 

A mídia atua com ironia com a comunidade GLBT, pois está sempre rodeada de conceitos moralizantes, piadas de péssimo gosto, incitam a homofobia, a programação humorística infectada de trejeitos desnecessários, homossexuais sendo ridicularizados de todas as formas, como se a comunidade GLBT tivesse a mesma forma, a mesma fala, os mesmos estereótipos triste que vemos invadindo as nossas casas através dessa tristeza social que é a televisão que desconstrói muito mais do que edifica o/a homossexual brasileiro.

A travesti é muito maltratada ainda pela mídia e sociedade.

Raramente vemos noticiado que algumas travestis e transexuais estão sendo inseridas na sociedade, no mercado de trabalho, por projetos como, por exemplo, o “Damas” no RJ e tantas outras correntes positivas que de forma muito valente estão dando a essa comunidade oportunidades, nunca antes pensada pelo poder público.

 

Bruna: As travestis são o segmento mais vulnerável em relação a AIDS. Ainda sobre com a extrema exclusão educacional, e o preconceito. Isso tudo são fatores que culminam na violência contra as travestis. Como o senhor analisa isso e quais casos, que o senhor tem conhecimento, por conta dos documentários, que são mais absurdos?

 

Vagner: Eu diria que toda sociedade está vulnerável a AIDS, visto que o número crescente entre jovens homossexuais ou não e mulheres.

Mas mencionar as vulnerabilidades que a travesti enfrenta todos os dias na hora do seu trabalho, ai sim podemos pensar que elas estão completamente vulneráveis ao HIV/AIDS e tantas outras agressões físicas e psicológicas.

A travesti, por mais distante que esteja sobre o uso do preservativo, ela acaba tendo o contato do mesmo via diferentes meios de comunicação como, por exemplo: ONGs que fazem distribuições gratuitas quando o preservativo é disponível nos Estados, via as próprias companheiras de trabalho, via ao próprio cliente às vezes. Mas ela está correndo um sério risco de ter que fazer sexo sem o preservativo quando se encontra constrangida, encurralada com uma arma na cabeça, no peito e ai toda vulnerabilidade de sexo seguro com o preservativo é descatardo. No documentário “Basta Um Dia”, as profissionais jovens relatam como elas deparam-se diariamente com a violência estrutural que essa profissão lhes oferece.

A “Escola”! – Falamos em programa nacional do Brasil sem Homofobia e o que mais percebemos que a homofobia parece uma erva daninha que nasce em todos os lugares e não para de crescer.

A nossa instituição, a ABIA, fez um curta intitulado “Escola Sem Homofobia” para ser passado nas escolas e direcionado para educadores. Esse filme é uma das formas que encontramos na tentativa de educar os formadores de opiniões, para que a jovem travesti possa permanecer em sala de aula, tenha a oportunidade como tantas outras crianças e adolescentes tem.

A exclusão parte de dentro de casa, perambula pela comunidade onde moram, atravessa bairros e chega à porta da escola, aonde a jovem travesti encontra mais uma barreira. Dali para frente escapar de mais um ambiente castrador, excludente é fugir da escola, pois essa é a única alternativa que a travesti jovem encontra.

Formar educadores, trabalhar com os pais, a comunidade será o único caminho de ter essa comunidade de jovens dentro das salas de aula.

Toda violência sofrida em ambientes que deveriam ser acolhedores faz com que a travesti repense em outras formas de sobrevivência e uma das mais usadas é a prostituição, fazendo com que essa cidadã se vulnerabilize cada vez mais.

Analiso como uma grande tristeza nacional, um despreparo total de todos que possuem o poder para reverter essa situação. Inaceitável ver tantas crianças tendo que ser adultas da pior forma possível faceando o medo e o perigo a cada vez que bate a porta de um carro ou serve um cliente em um beco.

Os casos absurdos são tantos. Os números são alarmantes de assassinatos, de desrespeito pela cidadã travesti.

No filme “Basta Um Dia”, na noite de estréia no Centro Cultural Banco do Brasil do RJ, uma das participantes, Naira, era brutalmente assassinada na Via Dutra. Para conhecer o caso melhor visite o site: www.vagnerdealmeida.com

No jornal que anunciava a morte de Naira vinha estampada a seguinte manchete com a sua foto na sarjeta aonde foi encontrada; “UMA QUASE MULHER EXECUTADA NA DUTRA”.

Em novembro de 2007 outra protagonista do filme Gleice foi barbaramente assassinada por um cliente. Ironicamente ela relata no filme que a violência estava pior nos dias de hoje contra as travestis.

Dezenas de pessoas da comunidade GLBT, que já trabalhei com elas na Baixadas Fluminense, já não fazem mais parte desse sistema.

 

Bruna: Porque há tanta impunidade em relação aos casos de violência e assassinato de travestis?

 

Vagner: A sociedade é o tribunal de inquisição e quando partimos deste princípio, ai tudo que acontece com as travestis, às chamadas cidadãs de terceira, não há como equacionar a impunidade que há.

Nenhum desses casos citados acima até hoje foram encontrados os culpados.

A policia peca por não dar a atenção necessária e a justiça sem provas concretas empilha os casos que se avolumam nas mesas dos depósitos judiciários. – isto se referindo aos casos que chegam até uma delegacia de polícia.

 E os que não são relatados?

São ocultos por todos, inclusive pela família que se nega reconhecer os corpos. A vergonha, a raiva, o medo tudo isto são ingredientes para que essas pessoas não tenham um enterro digno, pois a maioria das vezes suas vidas são arrancadas por causa da indignidade alheia.

Muitas dessas pessoas são enterradas em covas rasas, em cemitérios populares, pois nem conhecidos ou parentes tomam conhecimento das mortes.

Em uma entrevista com uma casa de funerária, as pessoas relataram que muitas travestis nem carteira de identidade possuem e sem identidade é muito difícil encontrar a família.

A travesti mexe com a sociedade e os intolerantes não permitem que essa comunidade crescente no Brasil e no mundo possa viver normalmente como cidadã, cidadão pleno.

O Brasil que é “Campeão de Travestis” é também campeão em matá-las, detoná-las e excluí-las de tudo que por direito elas são donas também.

 

Referência:

 

“Revista de Teatro da SBAT” – Número 469, pág. 47, ano LXV, Janeiro, fevereiro e março, 1989

 

“Jornal do Teatro, ano II” – Número 12, maio – 1989

 

“Jornal Papo Teatral, ano 1” – Número 6, junho -1989

 

“The Role of Theatre in AIDS Education: A Brazilian Example”, II International Symposium on AIDS Education, World Health Organization (WHO), Yaoundé, Camarões, outubro – 1989

 

“Corpos Prazeres e Paixões” – Richard Parker, Beacon Press Boston, 1991

 

“Teatro Expressionista Parte I”, Jornal Papo Teatral, ano III, n.32, agosto, 1991.


.“Teatro Expressionista Parte II”, Jornal Papo Teatral, ano III, n.33, setembro, 1991.

 

“Teatro Expressionista Parte III”, Jornal Papo Teatral, ano III, n. 35, novembro, 1991


.“O Teatro, O Ator, e a AIDS”, Jornal Papo Teatral, ano IV, n. 37, junho, 1992.

“A Mídia Perversa e o Universo de Homens que fazem Sexo com Homens” – Vagner de Almeida – 2004

 

“Homossexualidades: Produção Cultural, Cidadania e Saúde” Organizadores: Luiz F. Rios, Vagner de Almeida, Richard Parker, Cristina Pimenta, Veriano Terto Jr – publicado pela ABIA – 2004

 

Programa ATITUDE.COM – Tema: Homossexualidade Contemporânea TV Educativa - ACERP Programa ATITUDE.COM – Rio de Janeiro, junho 2007

 

- Filme “Cabaret Prevenção” direção: Vagner de Almeida, produção, ABIA, 1995

 

- “Cabaret Prevenção” – livro, produção, ABIA, 1997

 

- Filme “Ritos e Ditos de Jovens Gays’, direção: Vagner de Almeida, produção, ABIA, 2002

 

- Filme “Borboletas da Vida” direção: Vagner de Almeida, produção, ABIA, 2004

 

- Filme “Basta Um Dia” direção: Vagner de Almeida, produção, ABIA, 2006

 

- Filme “Escola sem Homofobia” direção: Vagner de Almeida, Luciana Kamel, produção, ABIA, 2006

 

- Filme “Sexualidade e Crimes de Ódio” direção: Vagner de Almeida, produção, Prazeres e Paixões, 2008

 

- Jornal Lampião de Esquina, ano 3 Nº 32 em 1981

 


 


 


 

para maiores informações enviar e-mail:
vagner.de.almeida@gmail.com