Poemas Etnograficos

Luzes, Câmeras e Contradições


BASTA 1 DIA.

No filme documentário, “Basta Um Dia” o significado abrange o universo de tantos cidadãos, não plenos na sociedade brasileira, que com coragem e medo enfrentam os seus cotidianos de um dia, não mais que um dia, um meio dia como Chico Buarque de Holanda descreveu em sua obra tão heroícamente a vida de tantas vidas que vivem na periferia do ódio, desrespeito, covardia e pequenez alheia.

Nos referimos aqui as heroicas e heroicos cidadãos, trans, gays e lésbicas que são brutalmente assassinados, violentados, excluídos e desasistidos pelo poder público e pela população movida pelo ódio e  a homofobia.

Permeando entre vidas e perdas o filme transita entre a dor e a revolta, o medo e descrença de que um dia isto tudo possa ser enfrentado de maneira honesta e os culpados punidos pelos seus atos infâmes.

Basta Um Dia conta as chacinas, mortes de crimes de ódio contra homossexuais na Baixada Fluminense da grande Rio de Janeiro. Ressaltando que a denúncia é nacional e internacional, pois crimes de ódio contra a população GLBT ocorre no mundo inteiro. Não há fronteiras quando se trata de ódio, perversidade, falta de solidariedade no ser humano. O ódio é igual, mais intenso, nunca menos feroz em sua intensidade contra quem quer que seja.

Jovens, adultos e idosos gays são maltratados e assassinados na maioria das vezes por sua opção sexual ou por banalidade de limpesa de area promovida pelos senhores da moral e bons costumes, pessoas desprovidas de amor e carinho por seus semelhantes.

Assim é a vida das cidadãs da Via Dutra e tantas outras vias de trabalho das transssexuais, gays boys e trabalhadoras do sexo no Brasil e no mundo.

“Basta Um Dia” revela, denuncia e exige um basta para impunidades contra a vida desses cidadãos.

Olhar Inquieto!

Observar a vida de tantas e tantos inquieto é impossível! Principalmente tratando-se de pessoas que vivem com a possibilidade de sobreviver o dia a dia muito pequeno.

A noite desce e elas e eles aparecerem nos becos escuros da Via Dutra. São dezenas que vão se formando ao longo de rampas e becos, beira da estrada e vãos escuros. São mulheres que outrora foram os meninos, garotos e rapazes. Hoje vivem no universo de sua escolha pessoal das transssexuais. Como sabemos e algunss dizem que essas Mariposas noturnas nasceram em um corpo errado.

Inquientante tão qual as delgadas meninas da beira da Estrada, são os seus clientes em seus carros populares, bicicletas, carroças ou a pé. Outros atores que entram em cena logo que a noite chega.

O cair da escuridão elas se aproximam do local de labuta equilibrando-se em seus saltos altos ou sandálias de saltinhos. Desfilam com seus corpos moldados como uma escultura feminina, uma menina ou já então mulher feita. Com os apliqués ou não no tôpo da cabeça o seu endumentário está pronto para mais uma peleja no campo de jogos com placares duvidosos. Sempre com times diferentes, todas as noites enfrentam com coragem e medo, com vivacidade e desempenho a jornada noite a dentro.

Inquietante a clientela diversificada surfando entre o passivo e comportado homem casado, ao irreverente e agressivo homem do mau, aquele que chega para inquietar e atormentar o trabalho das mulheres que outrora foram meninos, garotos e rapazes.

Chutam, gritam, esfacelam as trabalhadoras do sexo psicologicamente e físicamente. Usam da força bruta como sua arma da covardia. Apontam e remessam ovos, pedras, facas e balas de suas pistolas em direção as estrelas da noite. Muitas das vezes como resultado tirando o brilho dessas atrizes do mundo que enfrentam com seus apliqués, silicones, calças justas, nini saias curtas, chortinhos combinando com os bustiês e seus incansáveis saltinhos Luis XV. Saiem de cena naquela noite depois de um ovo estourado em suas roupas ou uma bala certeira na vida e na alma dessas cidadãs.

Inquieta-nos ver tantas meninas outroras meninos, garotos e rapazes a mercê de tanta violência gratuíta.

Amanhã é um outro dia e qual delas ou quantas delas estarão ali para mais um dia de labuta e marcar o cartão do relógio da vida? Não sabemos! Mas temos a certeza que se A não vier, B estará lá e caso B não apareça nunca mais depois de um proguê errado, armado para tirar mais uma vida, C,D,E, F,G…Z estarão lá dando contínuidade a Roleta Brasileira da Vida.

Para tantas entre tantas “Basta 1 Dia”, basta um cliente infectado com o ódio para que o proxímo dia não exista mais na vida dessas pessoas.

Os dias correm, o relógio marca, os quilometros de existência diminuem para essas atrizes corajosas que são as Estrelas da Noite da Via Dutra.


Minha Calçada Não Tem Chão!

 

Um tapa físico na face!
Uma porrada pisicológica na alma!
Uma pedrada na testa!
Um tiro no peito!
Final da cena!
Um ato com as cortinas arriadas para sempre!
Uma porta trancada!
Uma menina no chão?
Outras meninas a correr!
Felizardas aquelas que conseguiram não ser alvo dos francos atiradores da noite
Cacos de vidros que cacam e cortam a alma
Uma vida sem vida!
Um dia na vida de uma Transsexual das Vias Dutras da Vida.


“Compras do Mês”

Crescemos ouvindo os nossos avós, pais e vizinhos dizendo;
“Compras do Mês”
Visita ao supermecado, um passeio quase obrigatório para a maioria das pessoas chamadas comuns.
Compra-se de tudo, quando possível! Quando não, o excêncial para sobrevivermos os dias futuros.

Assim fomos treinados usar o nosso sálario e pensar no futuro da saúde física e mental, nos alimentando com os estoque que fazemos em nossas prateleiras pessoais ou privadas em nossas casas.

Falando assim parece-nos normal equacionarmos tudo dentro dos padrões de normalidade.

Sálario recebido, pois esse cidadão que nos referimos tem um contra cheque. E que não tenha, mesmo assim faz os planos para o mês com seus viveres adquiridos nos supermercados da vida, nas boutiques alimenetares de postos de gasoline, nas surtidas quitandas de esquina ou nos palacios das preciosidades gourmets da vida.

Como ressaltado, cidão pleno, com contra cheque ou não, um ser diúrno, pessoas que na maioria das vezes passam aos nossos olhos despercebidas por não nos chamarem a atenção. As olhamos, mas não as observamos. Muito comum quando estamos dentro d um supermercado empurrado o nosso carrinho cheios ou não de compras par o mês.

Pois é, essa realidade não é tão ampla como pensamos ser e nem percebemos, por não observarmos o outro, que essa realidade afunina-se quando se trata de populaces qeu vivem a margem da chamada sociedade normal, quase perfeita, organizada entre as atividades diurnas e noturnas .

As travesties, transgêneros ou outros nomes que possam vir surgir no univeso de nomeclaturas no futuro, não são pessoas comuns. Desejariam profundamente ser, mas esse direito a elas não é permitido. Vivem comprando em gramas, pois 1000 gramas soma 1 quilo. Este mesmo um quilo tem o significado de alguns dias a mais ou mesmo um mês sendo esperado par sser consumido aos poucos. Aquele alimento perecível, como nós seres humanos, tem mais tempo de duração do que a própria esperança de vida de uma travesti. Compram por gramas, reagem perante a fome que ataca alma do corpo.

Faça Chuva, Faça Sol é Simplesmente Mais Um Dia


Vítimas de crimes de ódio
na Baixada Fluminense
- Rio de Janeiro 2006




Basta Um Dia em uma linda noite para alguns e para outros o final de cada ato.
Ação finalizada, trabalho encerrado.
Atores sociais que saltitam em amarelinhas cercadas de incertezas e inseguranças.
Pulam de um quilomentro para o proxímo quilomentro e continuam jornada noite a dentro
Equilibristas de salto altos e arrastando suas sandálias multicoloridas esperam pelos clientes interrogações
Entram, batem a porta do carro, desaparecem na escuridão e no barulho da Via Dutra.
Se retornam ao ponto de partida?
Só mesmo com a ajuda de Deus.
Com sorte batem a porta do início do programa!
Noite com muita concorrência.
Muitas meninas na beira da Estrada.
Com sorte batem a porta do final do programa.
Retornam a rotina da exposição.
Proguê feito!
Mas foram pagas?
Ai só Deus e elas podem contar.

 

 

 

Basta um Dia


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