Entrevistas: Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica

Vicky Walker

Vagner de Almeida entrevista Vicky Walker

 Entrevista concedida no dia 16 de setembro 2009,
em Nova Iorque com a atriz e DJ Vicky Walker on line.

Vicky Walker & Vagner de Almeida

 

Vagner - Quem é Vicky Walker?

Vicky - Um espelho. Deixo que cada um veja sua própria imagem refletida em mim.


Vagner - Quem é você no filme "Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica"?

Vicky - Uma peça desse quebra - cabeças. Uma integrante de uma equipe coesa e profissional que se empenham para um produto final, que é a obra em si e seu entendimento pelo público.

Vagner - Trabalhar com um tema das lésbicas foi difícil, ou os enfrentamentos são os mesmos fazendo a mesma coisa com outros temas?

Vicky - Fazer com amor, carinho, dedicação e profissionalismo não é fácil. Exige do profissional e é assim que tem que ser. Faço com muito prazer. Para mim só existe o “Ser Humano”, trabalho para atingir o coração das pessoas e isso independe de classe social ou orientação sexual.

Vagner - Quando lhe pedi para fazer uma musica tribal para a trilha sonora do filme, o que você inicialmente pensou?

Vicky - Fiquei muito feliz! É sempre um prazer ser convidada para integrar uma equipe. Pensei de imediato em usar uma das muitas músicas que fiz e tenho nesse trajeto de carreira artística; Depois pensei em realmente mixar algo com trechos de Ana Carolina, Maria Bethânia, Vander Lee... Mas não gostei do resultado. Então voltei à minha pasta de criações com frases que desenvolvi em 1994 com uma grande poetisa amiga: Madu Macedo.

Vagner - Quando soube que seria uma empreitada para falar de mulheres lésbicas, assustou-se ou recebeu como um desafio, como outro qualquer?

Vicky - Fiquei muito feliz. Sou uma artista que trabalha com, e para o público e sem peso de ser rico ou pobre homo ou hétero, branco ou negro... Todo trabalho é um desafio, todo trabalho é o mais importante.

Vagner - Sua musica tem tudo para explodir nas pistas de dança do mundo inteiro, mas o que você pensou em criá-la para esse filme com esse tema?

Delfim & Vicky WalkerVicky - Essa música, “Eu sou o Avesso”, retrata o ser humano. Ninguém é 100% de tudo. Foi desenvolvida dentro dos padrões internacionais de músicas para pistas de dança. Tive a direção musical do Maestro Delfim Moreira e a parceria do produtor Joe S. Nela, além do BPM, compassos perfeitos e gráfico musical,  possui ainda abertura para os Tops DJs fazerem um grande trabalho em suas apresentações pelo mundo. Fiquei muito feliz que ela tenha se encaixado no seu filme que também fala do ser humano.

Vagner - Trabalhando por meses nestas musica, enfrentando os desafios de estúdios, o meu estresse em ter a musica pronta, como foi tudo isto para você?

Vicky - Foi prazeroso! Tenho experiência para dosar tudo. O momento de criação é o mais importante. Gosto de me isolar, preciso disso... É um processo que requer que eu ouça muitos estilos musicais, faça testes, ouça, ouça e ouça... Só assim pode ter diminuído a chance de erro. Existem fases numa criação que não deixo de cumprir... Como pré-produção, criação, produção, pós produção, divulgação. São fases distintas e ao mesmo tempo interligadas. Alguma requer equipe, conversação e outras requerem o artista e o silêncio; A conexão com o divino e inspirador.

Vagner - Você vem me acompanhando nesta empreitada há bastante tempo e qual é a diferença do documentário "Basta Um Dia" (2007), produzido pela ABIA e dirigido por mim, onde você aparece brilhantemente interpretando "Basta Um Dia" - de Chico B. de Holanda, na frente das câmeras e agora em "Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica", atrás das câmeras?

Vicky - Tenho 25 anos de experiência com a publicidade, TV e Cinema. Sou uma eterna aprendiz, mas aprendi com mestres como Tizuka Yamazaki, Jacyra Lucas, Carlos Fontoura, Tininha Araújo, Sérgio Goldemberg, Denise Duarte, Marília Pêra, Bibi Ferreira e outros queridos como você, que ficar frente às câmeras tem a mesma responsabilidade de estar atrás delas. Na frente temos nossa imagem, mas não estamos sós... Existe uma equipe que nos dá todo o suporte e confiança para nosso trabalho e exposição. Quando estamos atrás das câmeras temos nosso nome e nossa credibilidade... Temos a responsabilidade de fazer o nosso melhor para, quem esteja frente às câmeras possa ter segurança e fazer o seu melhor. Temos o objetivo de falar ao coração dos telespectadores. Cada pessoa numa equipe de imagem tem a mesma importância... Só uma equipe coesa e profissional alcançará o objetivo de ser entendida. Em ambos os filmes você fala do ser humano e eu amo isso.


Vagner
- Uma pergunta bem sutil e complicada de responder. Qual a importância desse filme “Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica” para a sociedade brasileira?

Vicky - É sempre positivo o esclarecimento e o conhecimento, principalmente quando se trata de seres humanos que fazem parte do nosso dia a dia. No fundo fica a certeza de que somos iguais quando se trata de sonhos, lutas, alegrias, decepções, desilusões... . Esse documentário é uma arte e como todo arte requer a sensibilidade e a alma de quem cria e de quem a vê.

Vagner -  Como foi participar dessa produção?

Vicky - Muito prazeroso! Só trabalho com quem confio. Gosto de trabalhar com profissionais Competentes e maravilhosos como você e Etiene Petrauskas . É sempre um grande aprendizado e prazeroso.

Vagner -   O que é ser lésbica no Brasil?

Vicky - Eu não gosto de rótulos. Penso que enquanto houver divisões de grupos humanos estaremos longe da unificação. Não podemos criar grupos baseados no que se faz sexualmente dentro de um quarto.

O termo lésbica originalmente referia-se somente às habitantes da ilha de Lesbos, na Grécia entre os séculos VI e VII a.C. Morava naquela ilha a poetisa Safo admirada por seus poemas sobre o amor e beleza, em sua maioria dirigidos às mulheres. Por essa razão, o relacionamento sexual entre mulheres passou a ser conhecido como lesbianidade ou safismo.

Ser mulher no Brasil já é difícil. Mulheres ainda trabalham mais que os homens, e ganham menos. Mulheres ainda são obrigadas a levar as cruzes das famílias nas costas...( problemas de maridos e filhos). Agora fico pensando se em uma sociedade machista uma mulher é apontada como lésbica...

O que muda em minha vida se a minha vizinha faz sexo com uma mulher ou com um homem? Esse filme é muito importante para percebermos o ser humano com toda sua grandeza e sua mediocridade e hipocrisia.

 

Vicky Walker DJMúsica: "Eu Sou O Avesso" (Vicky Walker e Madu Macedo)

Interpretação: Vicky Walker

Direção Musical: Delfim Moreira Produções Artísticas

Produção Musical: Joe S. (Sound Designer)

www.vickywalker.tv

 

 
 


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vagner.de.almeida@gmail.com